Por que me tornei geriatra?
10 dezembro, 2025
Entrei na faculdade de medicina com uma ideia fixa: eu queria salvar o mundo. Pode soar ingênuo, mas era exatamente isso. Eu desejava fazer diferença na vida das pessoas, e não me via fazendo outra coisa. Foram dois anos de tentativa até conquistar a vaga, mas nunca houve dúvida sobre o caminho.
Durante a graduação, flertei com várias especialidades. Pensei em ginecologia, endocrinologia, cardiologia... Mas geriatria? Essa sequer passava pela minha cabeça.
O curioso é que, ao passar pelas áreas, fui percebendo algo fundamental sobre mim.
Na cardiologia, senti que eu cuidava apenas do coração e... com todo respeito aos colegas, eu queria cuidar do todo.
Na endocrinologia, especialmente em um hospital super especializado, me perdi entre tantas subdivisões. Eu sonhava com um atendimento amplo, integrado, que enxergasse o paciente como um universo completo, e não como um conjunto de sistemas isolados.
Foi só quando cheguei à geriatria que tudo fez sentido. Ali, eu finalmente me encontrei.
Percebi que quase todas as queixas, dúvidas e demandas podiam ser acolhidas por um único especialista. A consulta era ampla, profunda, conectada. Eu podia ser a médica do paciente, aquela referência que acompanha, que entende o contexto, que vê além do sintoma e além da doença.
Ainda carrego uma paixão platônica pela psiquiatria / psicologia também. Essas áreas atravessam meus atendimentos, enriquecem minhas escutas e me aproximam ainda mais do que realmente importa: a experiência humana do adoecer e do envelhecer.
Hoje, na prática, encaminho para subespecialidades sempre que necessário. Mas faço isso mantendo proximidade, parceria e coordenação. Porque meu papel é centralizar o cuidado, integrar informações e ser o ponto de referência quando algo sai do habitual.
Foi assim que escolhi a geriatria.